Biblioteca



Ao longo dos anos, os livros foram uma das ferramentas que mais me ajudaram a pensar melhor, a decidir com mais clareza e a construir negócios mais sólidos.
Aqui estão os que recomendo. Não porque estão na moda ou porque são os mais citados, mas porque os li, os testei e continuam a fazer sentido no dia a dia de quem gere e lidera.
Leve o que lhe for útil.

Porquê estes livros

The First 90 Days.
Michael Watkins, professor de liderança e especialista em transições de executivos,


O que me ficou

Li este livro há alguns anos e voltei a ele quando preparava a criação da nossa primeira Direção Comercial. Ficaram-me três ideias que considero essenciais para qualquer CEO.

A primeira é que a integração de um novo líder é responsabilidade de quem o recebe, e não apenas de quem chega. Watkins fala sobretudo para quem assume a função, mas cada página mostra também o que a empresa deve preparar. Foi aqui que percebi a importância do dossier de passagem e das apresentações pessoais aos clientes.

A segunda é a conversa sobre expectativas com a chefia. O autor defende que o novo líder deve acordar, logo no início, com quem responde: o que se espera dele, com que recursos e em que prazos. Numa PME, essa chefia é o CEO. Se essa conversa não acontecer com clareza, tudo o resto fica fragilizado.

A terceira são as vitórias rápidas. Um novo diretor precisa de resultados visíveis nos primeiros meses para ganhar a confiança da equipa e dos clientes. Cabe ao CEO ajudar a escolher bem essas primeiras metas, para que sejam ambiciosas mas alcançáveis.

É um livro prático, direto e muito útil. Recomendo-o a todos os colegas que estão a preparar uma sucessão ou a criar uma nova função de liderança.
Sinopse
The First 90 Days.
Michael Watkins, professor de liderança e especialista em transições de executivos

As transições são os momentos mais exigentes na carreira de um líder. Quem assume uma nova função, seja numa empresa nova, numa promoção interna ou numa missão no estrangeiro, tem cerca de três meses para provar o seu valor. Os erros cometidos nesse período são difíceis de corrigir mais tarde.

Michael Watkins, professor de liderança e especialista em transições de executivos, propõe um método estruturado para acelerar essa fase. O objetivo é chegar mais depressa ao chamado ponto de equilíbrio, o momento em que a organização passa a precisar do novo líder tanto quanto ele precisa da função.

O livro organiza o processo em passos práticos, preparar-se mentalmente para o novo cargo, acelerar a aprendizagem sobre a organização, ajustar a estratégia à situação concreta da empresa, conseguir vitórias rápidas que deem credibilidade, construir uma boa relação com a chefia, alinhar a estrutura, formar a equipa certa, criar alianças internas e manter o equilíbrio pessoal. Watkins distingue cinco situações tipo (arranque, recuperação, crescimento acelerado, realinhamento e manutenção do sucesso), cada uma com estratégias próprias.

Publicado em 2003 e revisto em 2013, tornou-se uma referência para executivos e departamentos de recursos humanos em todo o mundo.

Poder e Progresso


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a distinção entre adotar tecnologia e beneficiar dela. São coisas diferentes, e a história demonstra que a segunda não decorre automaticamente da primeira. Depende de quem define a direção do desenvolvimento e de quem participa nessa definição.
Ficou-me também a lição de que este não é um debate novo, ainda que o pareça. Aquilo que hoje discutimos a propósito da inteligência artificial foi já discutido a propósito do tear mecânico e da máquina a vapor. Conhecer esse historial protege-nos tanto do entusiasmo ingénuo como do alarme fácil, e dá-nos algo mais valioso do que ambos, que é perspetiva.
E ficou-me, sobretudo, a mensagem final, que considero a mais importante. A tecnologia não tem destino próprio. Tem apenas a direção que lhe for imprimida pelas decisões humanas que a acompanharem. Isto é simultaneamente uma advertência e uma esperança. Advertência, porque significa que nada garante que os benefícios se distribuam. Esperança, porque significa que essa distribuição continua a estar nas nossas mãos.
É uma obra extensa e exigente, com quase seiscentas páginas, mas indispensável a quem queira compreender, com profundidade histórica e rigor económico, aquilo que está verdadeiramente em jogo neste momento.
Sinopse
Poder e Progresso
A Nossa Luta Milenar pela Tecnologia e Prosperidade
Daron Acemoglu e Simon Johnson

Não poderia haver obra mais adequada ao artigo de hoje. Daron Acemoglu e Simon Johnson são ambos professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e receberam, em 2024, o Prémio Nobel da Economia. Neste livro, percorrem mil anos de história tecnológica para desmontar uma convicção largamente aceite, a de que o progresso técnico conduz automaticamente à prosperidade geral.

A tese central é tão simples quanto incómoda. Ao longo da história, a evolução tecnológica tem sido moldada pelos desejos e convicções de quem já detém poder, gerando riqueza e influência acrescidas precisamente para esses, ao passo que para todos os outros resta frequentemente apenas uma ilusão de progresso. Os autores ilustram-no com exemplos que desarmam qualquer otimismo ingénuo. Os ganhos agrícolas da Idade Média foram absorvidos pela nobreza enquanto os camponeses passavam fome. Os primeiros cem anos da industrialização inglesa trouxeram salários estagnados e jornadas extenuantes aos operários, enquanto o capital se acumulava.

Porquê estes livros

Génesis. Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano
Henry Kissinger, Eric Schmidt e Craig Mundie
Dom Quixote, 2024


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a autoridade rara desta combinação de vozes. É um livro escrito por quem passou a vida a estudar como o poder se organiza entre nações e por quem construiu, com as próprias mãos, as empresas que hoje moldam esta tecnologia. Essa dupla perspetiva confere ao texto uma profundidade que raramente se encontra na literatura sobre o tema.
Ficou-me a ideia de que a inteligência artificial não é apenas mais uma tecnologia, mas algo que interfere naquilo que sempre foi exclusivamente humano, ou seja, a capacidade de raciocinar e de decidir. E que essa interferência levanta questões que ultrapassam largamente o domínio técnico, porque tocam na forma como as sociedades se organizam e nos valores que escolhem preservar.
E ficou-me sobretudo a nota de esperança que atravessa o livro, e que considero a sua maior lição. Os autores recusam tanto o entusiasmo ingénuo como o fatalismo apocalíptico. O que defendem é algo mais exigente, ou seja, que o futuro não está escrito na tecnologia, está nas decisões humanas que a acompanharem. Para quem gere organizações, esta é uma mensagem particularmente pertinente.
É uma leitura densa e exigente, mas de enorme elevação. Daquelas que obrigam a pensar bem para além do imediato.

Sinopse
Génesis. Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano
Henry Kissinger, Eric Schmidt e Craig Mundie

Poucos livros reúnem autoridade comparável para tratar o impacto futuro da inteligência artificial na sociedade humana. Henry Kissinger, uma das figuras mais influentes da diplomacia do século vinte, Eric Schmidt, antigo presidente executivo da Google, e Craig Mundie, antigo responsável de estratégia e investigação da Microsoft, cruzam neste livro a perspetiva histórica e geopolítica com o conhecimento técnico de quem construiu a indústria por dentro.
A obra examina de que modo a inteligência artificial irá transformar as estruturas sociais, as relações internacionais e os sistemas financeiros, e interroga o efeito desta tecnologia sobre a tomada de decisão humana e sobre os próprios valores culturais que nos definem. Não se limita, porém, ao registo do alarme. Como o título indica, procura conciliar a lucidez quanto aos riscos com a esperança quanto às possibilidades, defendendo que o resultado dependerá menos da tecnologia do que das escolhas que fizermos perante ela.
Trata-se do último livro de Henry Kissinger, publicado postumamente. Foi distinguido, em Portugal, como um dos doze melhores livros de ciência publicados em 2024, numa seleção do físico e divulgador Carlos Fiolhais.

Poder e Progresso


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a distinção entre adotar tecnologia e beneficiar dela. São coisas diferentes, e a história demonstra que a segunda não decorre automaticamente da primeira. Depende de quem define a direção do desenvolvimento e de quem participa nessa definição.
Ficou-me também a lição de que este não é um debate novo, ainda que o pareça. Aquilo que hoje discutimos a propósito da inteligência artificial foi já discutido a propósito do tear mecânico e da máquina a vapor. Conhecer esse historial protege-nos tanto do entusiasmo ingénuo como do alarme fácil, e dá-nos algo mais valioso do que ambos, que é perspetiva.
E ficou-me, sobretudo, a mensagem final, que considero a mais importante. A tecnologia não tem destino próprio. Tem apenas a direção que lhe for imprimida pelas decisões humanas que a acompanharem. Isto é simultaneamente uma advertência e uma esperança. Advertência, porque significa que nada garante que os benefícios se distribuam. Esperança, porque significa que essa distribuição continua a estar nas nossas mãos.
É uma obra extensa e exigente, com quase seiscentas páginas, mas indispensável a quem queira compreender, com profundidade histórica e rigor económico, aquilo que está verdadeiramente em jogo neste momento.
Sinopse
Poder e Progresso
A Nossa Luta Milenar pela Tecnologia e Prosperidade
Daron Acemoglu e Simon Johnson

Não poderia haver obra mais adequada ao artigo de hoje. Daron Acemoglu e Simon Johnson são ambos professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e receberam, em 2024, o Prémio Nobel da Economia. Neste livro, percorrem mil anos de história tecnológica para desmontar uma convicção largamente aceite, a de que o progresso técnico conduz automaticamente à prosperidade geral.

A tese central é tão simples quanto incómoda. Ao longo da história, a evolução tecnológica tem sido moldada pelos desejos e convicções de quem já detém poder, gerando riqueza e influência acrescidas precisamente para esses, ao passo que para todos os outros resta frequentemente apenas uma ilusão de progresso. Os autores ilustram-no com exemplos que desarmam qualquer otimismo ingénuo. Os ganhos agrícolas da Idade Média foram absorvidos pela nobreza enquanto os camponeses passavam fome. Os primeiros cem anos da industrialização inglesa trouxeram salários estagnados e jornadas extenuantes aos operários, enquanto o capital se acumulava.

Porquê estes livros

Génesis. Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano
Henry Kissinger, Eric Schmidt e Craig Mundie
Dom Quixote, 2024


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a autoridade rara desta combinação de vozes. É um livro escrito por quem passou a vida a estudar como o poder se organiza entre nações e por quem construiu, com as próprias mãos, as empresas que hoje moldam esta tecnologia. Essa dupla perspetiva confere ao texto uma profundidade que raramente se encontra na literatura sobre o tema.
Ficou-me a ideia de que a inteligência artificial não é apenas mais uma tecnologia, mas algo que interfere naquilo que sempre foi exclusivamente humano, ou seja, a capacidade de raciocinar e de decidir. E que essa interferência levanta questões que ultrapassam largamente o domínio técnico, porque tocam na forma como as sociedades se organizam e nos valores que escolhem preservar.
E ficou-me sobretudo a nota de esperança que atravessa o livro, e que considero a sua maior lição. Os autores recusam tanto o entusiasmo ingénuo como o fatalismo apocalíptico. O que defendem é algo mais exigente, ou seja, que o futuro não está escrito na tecnologia, está nas decisões humanas que a acompanharem. Para quem gere organizações, esta é uma mensagem particularmente pertinente.
É uma leitura densa e exigente, mas de enorme elevação. Daquelas que obrigam a pensar bem para além do imediato.

Sinopse
Génesis. Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano
Henry Kissinger, Eric Schmidt e Craig Mundie

Poucos livros reúnem autoridade comparável para tratar o impacto futuro da inteligência artificial na sociedade humana. Henry Kissinger, uma das figuras mais influentes da diplomacia do século vinte, Eric Schmidt, antigo presidente executivo da Google, e Craig Mundie, antigo responsável de estratégia e investigação da Microsoft, cruzam neste livro a perspetiva histórica e geopolítica com o conhecimento técnico de quem construiu a indústria por dentro.
A obra examina de que modo a inteligência artificial irá transformar as estruturas sociais, as relações internacionais e os sistemas financeiros, e interroga o efeito desta tecnologia sobre a tomada de decisão humana e sobre os próprios valores culturais que nos definem. Não se limita, porém, ao registo do alarme. Como o título indica, procura conciliar a lucidez quanto aos riscos com a esperança quanto às possibilidades, defendendo que o resultado dependerá menos da tecnologia do que das escolhas que fizermos perante ela.
Trata-se do último livro de Henry Kissinger, publicado postumamente. Foi distinguido, em Portugal, como um dos doze melhores livros de ciência publicados em 2024, numa seleção do físico e divulgador Carlos Fiolhais.

Poder e Progresso


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a distinção entre adotar tecnologia e beneficiar dela. São coisas diferentes, e a história demonstra que a segunda não decorre automaticamente da primeira. Depende de quem define a direção do desenvolvimento e de quem participa nessa definição.
Ficou-me também a lição de que este não é um debate novo, ainda que o pareça. Aquilo que hoje discutimos a propósito da inteligência artificial foi já discutido a propósito do tear mecânico e da máquina a vapor. Conhecer esse historial protege-nos tanto do entusiasmo ingénuo como do alarme fácil, e dá-nos algo mais valioso do que ambos, que é perspetiva.
E ficou-me, sobretudo, a mensagem final, que considero a mais importante. A tecnologia não tem destino próprio. Tem apenas a direção que lhe for imprimida pelas decisões humanas que a acompanharem. Isto é simultaneamente uma advertência e uma esperança. Advertência, porque significa que nada garante que os benefícios se distribuam. Esperança, porque significa que essa distribuição continua a estar nas nossas mãos.
É uma obra extensa e exigente, com quase seiscentas páginas, mas indispensável a quem queira compreender, com profundidade histórica e rigor económico, aquilo que está verdadeiramente em jogo neste momento.
Sinopse
Poder e Progresso
A Nossa Luta Milenar pela Tecnologia e Prosperidade
Daron Acemoglu e Simon Johnson

Não poderia haver obra mais adequada ao artigo de hoje. Daron Acemoglu e Simon Johnson são ambos professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e receberam, em 2024, o Prémio Nobel da Economia. Neste livro, percorrem mil anos de história tecnológica para desmontar uma convicção largamente aceite, a de que o progresso técnico conduz automaticamente à prosperidade geral.

A tese central é tão simples quanto incómoda. Ao longo da história, a evolução tecnológica tem sido moldada pelos desejos e convicções de quem já detém poder, gerando riqueza e influência acrescidas precisamente para esses, ao passo que para todos os outros resta frequentemente apenas uma ilusão de progresso. Os autores ilustram-no com exemplos que desarmam qualquer otimismo ingénuo. Os ganhos agrícolas da Idade Média foram absorvidos pela nobreza enquanto os camponeses passavam fome. Os primeiros cem anos da industrialização inglesa trouxeram salários estagnados e jornadas extenuantes aos operários, enquanto o capital se acumulava.

Porquê estes livros

The Strategy and Tactics of Pricing
A Estratégia e as Táticas do Preço, um guia para crescer com mais rentabilidade
Thomas T. Nagle


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a confirmação científica de uma convicção que defendo. O preço não deve ser um número que se calcula a partir dos custos, deve ser a expressão do valor que entregamos ao cliente. Esta mudança de perspetiva, do custo para o valor, é talvez a mais importante que um empresário pode fazer na sua forma de pensar o negócio.
Ficou-me a ideia de que descontar é a solução mais fácil e, quase sempre, a mais preguiçosa. Nagle demonstra, com rigor, que a maioria das empresas desconta por falta de confiança no seu próprio valor, e não por necessidade real. Aprende-se, com ele, que baixar o preço não é uma estratégia, é a ausência dela. E que a verdadeira arte comercial está em fazer o cliente compreender e valorizar aquilo que oferecemos, para que o preço deixe de ser um obstáculo e passe a ser uma consequência justa.
E ficou-me a noção de que a gestão do preço é uma disciplina séria, tão séria como a gestão financeira ou a produção, e não uma decisão improvisada de última hora. Poucas áreas têm tanto impacto direto na rentabilidade, e poucas são tão descuidadas nas pequenas e médias empresas.
É uma obra técnica e exigente, escrita para quem quer dominar de verdade uma das competências mais decisivas de qualquer negócio. Não é uma leitura de fim de tarde, é uma ferramenta de trabalho. Mas para quem leva a rentabilidade a sério, é das mais valiosas que conheço.

Sinopse
The Strategy and Tactics of Pricing - Thomas T. Nagle
Não poderia haver obra mais adequada ao meu artigo de hoje. É o texto de estratégia de preços mais consolidado e influente que existe, usado por profissionais e estudantes em todo o mundo como guia de referência para a fixação de preços com base no valor. A sua tese é exatamente aquela que o artigo de hoje defende. Em vez de calcular preços apenas para cobrir custos ou atingir metas de vendas, o livro ensina a tomar decisões de preço mais estratégicas e mais rentáveis, geríveis a partir do valor que se cria no mercado. Mostra como gerir os mercados de forma estratégica, e não simplesmente calcular o preço a partir do produto e do lucro, para melhorar a competitividade e a rentabilidade das ofertas. O reconhecimento é unânime entre os maiores nomes da gestão. O próprio Philip Kotler, o pai do marketing moderno, e Guy Kawasaki elogiam-no como a melhor obra alguma vez escrita sobre preços.

Clear Thinking
Transformar Momentos Comuns em Resultados Extraordinários
Shane Parrish


O que me ficou 
Ficou-me, acima de tudo, uma ideia que me pareceu tão simples quanto profunda. O maior inimigo da boa decisão não é a falta de inteligência, é o piloto automático. Reagimos por hábito, por emoção, por ego, sem sequer darmos conta de que havia ali uma decisão a tomar. Parrish ensina-nos a criar um espaço entre o que nos acontece e a forma como respondemos, e é nesse espaço que mora toda a diferença.
Ficou-me a noção dos nossos comportamentos automáticos, aquilo a que o autor chama os defaults, ou seja, as tendências instintivas que sabotam o bom senso sem que reparemos. Reconhecê-las é o primeiro passo para as dominar. Aprendi, ao ler, que boa parte das más decisões que tomamos ao longo da vida não vêm de pensarmos mal, mas de nem sequer chegarmos a pensar.
E ficou-me a ligação profunda com aquilo que sempre defendi. Pensar bem não é um dom, é uma disciplina. Parrish mostra, com exemplos vívidos e ferramentas concretas, que a clareza de pensamento se treina, e que os melhores decisores não são os mais inteligentes, mas os que aprenderam a dominar-se a si próprios no momento certo.
É uma leitura acessível, prática e cheia de histórias, elogiada por nomes como Jim Collins e Morgan Housel. Daquelas que nos mudam não o que sabemos, mas a forma como decidimos. E poucas coisas, na gestão e na vida, valem mais do que isso.

Sinopse
Clear Thinking
Transformar Momentos Comuns em Resultados Extraordinários
Shane Parrish

Não poderia haver livro mais adequado para acompanhar o artigo de hoje. Shane Parrish é o fundador do Farnam Street, o blogue mais lido do mundo sobre modelos mentais e pensamento claro, e uma das maiores autoridades mundiais em tomada de decisão. As suas ideias são usadas por empresas da Fortune 500 e por equipas desportivas de topo, e a sua newsletter chega a mais de meio milhão de leitores todas as semanas. Neste livro, um êxito imediato de vendas do New York Times, Parrish parte de uma constatação simples e perturbadora. Poucas coisas mudam tanto o rumo de uma vida ou de um negócio como aprender a pensar com clareza, e no entanto quase ninguém reconhece os momentos em que devia parar para pensar. Nos instantes de pressão, defende o autor, a maioria de nós não está a pensar de todo, está apenas a reagir por instinto. A obra dá-nos as ferramentas para reconhecer esses momentos decisivos e para dominar o espaço crítico entre o estímulo e a resposta, ou seja, aquele intervalo onde se joga a qualidade de todas as nossas decisões.

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Porquê estes livros

Profitable Growth Is Everyone's Business
Ram Charan


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a confirmação de uma verdade que defendo há muito. Crescer por crescer não tem mérito nenhum. O que interessa é crescer com rentabilidade, e isso exige uma disciplina que o entusiasmo do crescimento muitas vezes faz esquecer.
Ficou-me a ideia de que o crescimento saudável não nasce de golpes de génio, mas de pequenas melhorias constantes. Charan chama-lhe conquistar os singles e os doubles antes de tentar o home run. É uma lição de humildade e de método, que fala diretamente a quem gere uma PME e não pode apostar tudo numa única jogada. O crescimento sólido constrói-se todos os dias, um passo de cada vez.
E ficou-me a ideia mais transformadora do livro, a de que o crescimento é responsabilidade de toda a gente. Da mesma forma que envolvemos toda a equipa no controlo dos custos, devemos envolvê-la no esforço de crescer com valor. Cada contacto com um cliente é uma oportunidade. Quando todos numa empresa compreendem isto, o crescimento deixa de ser uma preocupação da gerência e passa a ser uma cultura.
É uma obra prática, direta e acionável. Daquelas que se leem com um lápis na mão, porque quase todas as páginas trazem algo para aplicar já na segunda-feira de manhã.

Sinopse
Profitable Growth Is Everyone's Business
Ram Charan

Não poderia haver livro mais adequado ao artigo de hoje. Ram Charan é um dos conselheiros de empresas mais respeitados do mundo, com mais de vinte e cinco anos de experiência a trabalhar com organizações em todo o planeta. Formado em Harvard, onde concluiu o MBA com distinção, é também coautor de Execution, um dos maiores best-sellers de gestão de sempre. Neste livro, aborda de frente um dos desafios mais difíceis de qualquer empresa, o de crescer sem deixar de ser rentável. Charan mostra que o verdadeiro crescimento não depende de uma ideia genial ou de um produto revolucionário que surge de tempos a tempos, mas da disciplina das pequenas conquistas diárias, das melhorias sucessivas e da atenção constante à margem. Defende ainda uma ideia poderosa, a de que o crescimento é uma responsabilidade de todos na empresa, e não apenas da administração ou da força de vendas. É uma obra prática, cheia de ferramentas concretas, escrita para ser aplicada de imediato.

A Banca e as PME
Paulo Alcarva


O que me ficou
Ficou-me, acima de tudo, a importância de compreender o lado de lá da mesa. Muitos empresários enfrentam a banca sem perceberem como ela pensa, como avalia o risco e como decide conceder ou recusar um financiamento. Este livro corrige essa desvantagem, e mostra que uma PME que entende a lógica do seu banco negoceia sempre em melhores condições do que aquela que se limita a pedir.
Ficou-me também a ideia de que a relação com a banca não se improvisa nos momentos de aperto, constrói-se com antecedência e com transparência. Uma empresa que apresenta contas claras, que comunica com rigor e que mostra um projeto sólido conquista a confiança do banco muito antes de precisar dela. E é essa confiança, construída em tempo de bonança, que faz a diferença no dia em que o crédito se torna necessário.
E ficou-me a confirmação de uma convicção que sempre defendi. Uma boa relação com a banca não é a de quem depende, é a de quem negoceia de igual para igual. Para isso é preciso conhecimento, preparação e o rigor de quem trata as suas contas com a mesma seriedade com que trata os seus clientes. Conhecer as regras do jogo bancário não é um luxo de grandes empresas, é uma competência essencial de qualquer gestor que leve o seu negócio a sério.
É uma obra técnica, mas indispensável a quem quer transformar a relação com a banca de uma dependência receosa numa verdadeira parceria.

Sinopse
Não poderia haver livro mais adequado ao artigo de hoje. Paulo Alcarva escreve a partir de uma posição privilegiada, a de quem conhece o negócio bancário por dentro, com uma sólida experiência como quadro da banca e como docente da cadeira de Crédito Bancário. O objetivo principal da obra é ajudar as pequenas e médias empresas a gerirem com eficácia o seu relacionamento com a banca. Escrito por quem está do lado do negócio bancário, o livro procura dar aos empresários toda a informação necessária para compreenderem o processo de financiamento e as políticas dos seus bancos, e assim interagirem com eles de forma mais equilibrada. Ao longo dos capítulos, aborda a estrutura organizacional da banca, a gestão do negócio bancário, a arte de negociar com a banca de empresas e os instrumentos que esta disponibiliza. É um manual prático, cheio de esquemas e de sugestões, concebido para ser consultado de forma permanente ao longo da vida da empresa, e não esgotado numa única leitura.

Porquê estes livros

Odisseia
Homero, tradução de Frederico Lourenço


O que me ficou

Reli a Odisseia com outros olhos depois de ter deixado, ao longo da vida, tantas batalhas pelo caminho. E o que me ficou foi a certeza de que esta epopeia, com quase três mil anos, é um dos melhores manuais de gestão e de liderança alguma vez escritos, ainda que nunca se tenha proposto sê-lo.
Convém dizê-lo desde já, para que ninguém parta com a ideia errada. A Odisseia é um poema épico, uma longa narrativa em verso, e não um romance em prosa. Isso torna a leitura mais exigente, é certo, mas também mais bela. Não se devora numa tarde, saboreia-se devagar. E a tradução de Frederico Lourenço, feita diretamente do grego, tem uma tal musicalidade que compensa por inteiro o esforço de a acompanhar verso a verso.
Ficou-me a perseverança de Ulisses, que cai e se levanta sempre, e que não vence pela força, mas pela inteligência e pela resistência. É a virtude de que mais precisa quem dirige uma pequena empresa e raramente tem a força dos grandes. Ficou-me a clareza do seu destino, aquela Ítaca que o mantém de pé quando tudo desaba, e que me ensinou o valor de ter sempre um propósito claro no horizonte.
E ficou-me, sobretudo, o episódio dos pretendentes, aqueles que ocupam o palácio na ausência do rei. Foi ao reler essa passagem que percebi, com toda a nitidez, que a maior missão de um líder não é tornar-se indispensável, mas construir uma casa tão sólida que se governe a si mesma, mesmo quando ele está longe.
Não é uma leitura fácil nem rápida. Mas é daquelas obras que, uma vez lidas, nos acompanham para sempre, e que a cada releitura nos devolvem uma lição nova. Poucos livros modernos de gestão me ensinaram tanto sobre resistir, decidir e liderar.
O que mudei. Comecei exatamente pela sua frase, com "epopeia" no lugar de "livro". Acrescentei um segundo parágrafo que assume abertamente a natureza de poema épico em verso, enquadrando-a como uma qualidade e uma experiência a saborear, e aproveitei para elogiar a musicalidade da tradução de Frederico Lourenço, o que reforça a recomendação da edição portuguesa. O resto mantém-se, por já estar alinhado com o seu registo e com as regras de escrita.
Se quiser, gero agora a imagem de partilha da Biblioteca com a capa e a sua frase do dia. Diga apenas.

Sinopse
Odisseia
Homero, tradução de Frederico Lourenço.
 
Não há livro mais adequado ao artigo que escrevi hoje do que a obra que lhe deu origem. A Odisseia narra o regresso de Ulisses a casa, a Ítaca, após a Guerra de Troia, e a longa e perigosa travessia de dez anos que o herói tem de enfrentar. Pelo caminho, defronta o Ciclope, resiste ao canto das Sereias, navega entre Cila e Caríbdis, perde todos os companheiros, e encontra, ao chegar, o seu palácio ocupado por pretendentes que consomem os seus bens e cobiçam o seu trono. Não é apenas um dos grandes épicos da literatura grega, é também um dos pilares do cânone ocidental, um poema de rara e extraordinária beleza, e o livro que mais influência exerceu, ao longo dos tempos, no imaginário ocidental.
Porto Editora
Esta edição tem um valor acrescido para o leitor português. A palavra odisseia tornou-se, aliás, um substantivo comum, que designa as jornadas marcadas por perigos e por acontecimentos inesperados, o que a torna a metáfora perfeita para a vida de quem empreende. A tradução é a referência absoluta em Portugal. É uma obra intemporal, traduzida diretamente do grego por Frederico Lourenço, num trabalho premiado que o consagrou como o grande tradutor moderno do poema.

Isto é Marketing
Para ser visto é preciso aprender a ver
Seth Godin


O que me ficou
Poucos livros dizem, com tanta clareza, aquilo em que sempre acreditei. O marketing que vale a pena não é o que faz mais barulho, é o que fala diretamente a quem precisa de nós.
Ficou-me a ideia do menor público viável, que à primeira vista parece contra-intuitiva. Godin defende que devemos parar de tentar chegar a todos e concentrar-nos em servir na perfeição um grupo bem definido. Para quem, como eu, atua num setor onde a relação e a confiança valem tudo, esta ideia é libertadora. Não preciso de agradar ao mundo inteiro. Preciso de ser insubstituível para as pessoas certas.
Ficou-me também a distinção entre ser visto e ser confiável. Godin mostra que a atenção, sozinha, não vale nada se não for acompanhada de confiança, e que a confiança se constrói servindo, de forma consistente, ao longo do tempo. É a antítese do marketing de vaidade, aquele que persegue gostos e esquece clientes.
E ficou-me a serenidade que este livro transmite a quem gere uma empresa pequena. Godin lembra-nos que não temos de competir por gritar mais alto do que os grandes. Temos de competir por sermos mais relevantes, mais próximos e mais dignos de confiança para o nosso público. E isso, felizmente, não é uma questão de orçamento, é uma questão de intenção.
É uma leitura acessível, inspiradora e profundamente prática. Daquelas que mudam a forma como olhamos para o nosso próprio negócio.

Sinopse
Seth Godin é um dos pensadores de marketing mais influentes e respeitados do mundo, autor de dezenas de obras que mudaram a forma como empresas de todas as dimensões comunicam. Neste livro, destila décadas de experiência numa mensagem simples e poderosa. O bom marketing não interrompe, não grita e não tenta agradar a todos. O bom marketing serve. Godin defende que o objetivo não é vender a toda a gente, mas identificar o menor público viável, ou seja, o grupo específico de pessoas que verdadeiramente precisa daquilo que oferecemos, e servi-lo tão bem que ele nos escolhe e nos recomenda. É um convite a deixar de perseguir a atenção de todos, para passar a construir confiança e relação com quem importa. Um livro pensado para quem quer que o seu marketing gere resultados reais, e não apenas ruído.

Porquê estes livros

Building Strong Brands
Como Construir Marcas Fortes
David Aaker


O que me ficou

Ficou-me, acima de tudo, a ideia que dá corpo a este livro e que atravessa toda a minha forma de pensar os negócios. A marca não é um custo de marketing, é um ativo estratégico. Talvez o mais valioso que uma empresa pode possuir, porque, ao contrário de quase tudo o resto, valoriza-se com o tempo em vez de se depreciar.
Ficou-me também a distinção entre atributos e valor. Aaker alerta para o erro comum de reduzir uma marca às características do produto, e mostra que as marcas verdadeiramente fortes constroem-se sobre uma ligação mais profunda, feita de confiança, de identidade e de significado. É uma lição preciosa para quem atua num setor onde a tentação de competir apenas por preço e por características técnicas é permanente.
E ficou-me a noção de que construir uma marca é um trabalho de gestão, disciplinado e paciente, e não um golpe de sorte criativo. Aaker desmonta a ideia romântica de que as marcas nascem de inspiração, e mostra que resultam de coerência, de método e de decisões estratégicas tomadas ao longo de anos.
É uma leitura exigente, escrita para quem leva a sério a construção de valor. Mas para qualquer empresário que sonhe deixar algo que dure, é das leituras mais transformadoras que se pode fazer.

Sinopse

David Aaker é considerado uma das maiores autoridades mundiais em estratégia de marca, professor emérito na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e autor de dezenas de obras que se tornaram referência obrigatória para gestores e profissionais de marketing. Neste livro, que muitos consideram o seu trabalho mais completo, Aaker demonstra, através de casos reais de grandes empresas, como as marcas fortes são criadas e geridas ao longo do tempo. A obra apresenta dois conceitos centrais, o de identidade de marca, ou seja, a imagem que se aspira construir, e o de capital de marca, o valor que uma marca representa como ativo estratégico e como principal fonte de vantagem competitiva de uma empresa. É um guia profundo sobre como transformar uma marca num verdadeiro património.

Scaling Up, Como Algumas Empresas Conseguem e as Outras Não
Verne Harnish  


O que me ficou
Ficou-me, acima de tudo, a ideia de que crescer sem dominar o dinheiro é a forma mais rápida de destruir uma boa empresa. Harnish e Miltz insistem num ponto que considero central, o de que o crescimento consome tesouraria, e que muitas empresas promissoras morrem não por falharem, mas por crescerem depressa demais sem controlar a liquidez.
Ficou-me também a simplicidade com que os autores tratam o que costuma ser complexo. A gestão financeira é, tantas vezes, apresentada de forma intimidante, cheia de rácios e de termos que afastam o pequeno empresário. Este livro faz o contrário. Torna o essencial compreensível e acionável, e devolve ao gestor a sensação de que pode, de facto, controlar os números em vez de ser controlado por eles.
E ficou-me a estrutura dos quatro pilares, Pessoas, Estratégia, Execução e Dinheiro, como uma grelha simples para olhar para qualquer empresa. Nenhum dos quatro sobrevive sozinho. Mas é no dinheiro, na tesouraria, que se joga a sobrevivência de tudo o resto.
É um livro para quem quer crescer sem perder o chão. E, nos tempos que correm, essa é uma das lições mais valiosas que uma PME pode aprender.
 
Sinopse

Verne Harnish é um dos nomes mais respeitados do mundo no acompanhamento de empresas em crescimento, fundador da Entrepreneurs' Organization e criador do método dos Hábitos de Rockefeller.
Neste livro, oferece ferramentas e estratégias práticas para alinhar toda uma organização, desde os colaboradores da linha da frente até aos líderes de topo, em torno de quatro pilares essenciais, Pessoas, Estratégia, Execução e Dinheiro. A obra dá especial atenção à ideia de crescer com margem e sem descontrolo financeiro, e é precisamente na parte dedicada ao dinheiro e à tesouraria que entra o contributo de Alan Miltz, o especialista de cash flow autor da máxima que diz que a faturação é vaidade, o lucro é sensatez, mas a tesouraria é rei. É um guia pensado para pequenas e médias empresas que querem crescer de forma sólida e sustentável.

Porquê estes livros

Pensar, Depressa e Devagar
Daniel Kahneman


O que me ficou
Escolhi este livro por causa de um número que me impressionou num estudo recente sobre gestores, o de que quase metade dos líderes admite não ter competências para supervisionar aquilo que já mudou as suas empresas. Kahneman ajuda a perceber porquê. Muitas más decisões não nascem da falta de inteligência, nascem do excesso de confiança e da pressa.
Ficou-me a ideia dos dois sistemas. Aquele que decide num instante, sem esforço, e aquele que trava, pondera e verifica. O primeiro é indispensável, mas é também o que mais nos atraiçoa. Percebi, ao ler, quantas vezes ao longo da minha vida confiei numa impressão rápida quando devia ter chamado a razão para a mesa.
Ficou-me sobretudo uma lição de humildade. Se um dos maiores pensadores do nosso tempo admite que a nossa mente se engana com facilidade, então o gestor prudente é aquele que desconfia das suas certezas imediatas. Num mundo que nos empurra para decidir cada vez mais depressa, este livro é um convite corajoso para, de vez em quando, decidir devagar.
É um livro exigente, com as suas boas 550 páginas, mas cada capítulo devolve muito mais do que pede.
 
Sinopse

Pensar, Depressa e Devagar
 Daniel Kahneman foi distinguido com o Prémio Nobel da Economia em 2002 pelo seu trabalho fundamental em psicologia, que questionou o modelo racional de tomada de decisões e de formulação de juízos. Neste livro, apresenta a sua teoria dos dois sistemas de pensamento. O Sistema 1, rápido, intuitivo e automático, e o Sistema 2, lento, deliberado e racional. Ao longo da obra, o autor mostra como estes dois sistemas interagem, como o pensamento intuitivo nos ajuda no dia a dia, mas também como nos engana através de enviesamentos e ilusões de que raramente damos conta. É uma viagem profunda ao funcionamento da mente humana e às armadilhas que distorcem as nossas escolhas, sobretudo quando decidimos depressa e com excesso de confiança

 Primeiro, Quebre Todas as Regras, de Marcus Buckingham e Curt Coffman.



O que me ficou
Poucos livros mudaram tanto a minha forma de olhar para uma equipa como este. Fez-me questionar ideias que durante anos tomei como certas, e essa é, para mim, a marca de uma grande leitura.
Ficou-me, acima de tudo, a coragem de contratar pela atitude e pelo talento, e não apenas pela experiência no setor. Ao longo do meu percurso apostei muitas vezes em pessoas com o brilho certo nos olhos, ainda antes de terem provas dadas, e raramente me arrependi. Este livro deu fundamento científico a uma intuição que eu já seguia.
Ficou-me também a ideia de investir nos pontos fortes de cada um, em vez de gastar energia infinita a corrigir fraquezas. Um gestor não transforma toda a gente em tudo. O seu talento está em colocar cada pessoa no lugar onde ela pode brilhar. E ficou-me a lição mais desafiante de todas, a de que não se trata as pessoas como nós queremos ser tratados, mas como cada uma delas precisa de ser tratada. Liderar não é aplicar uma régua única. É conhecer, um a um, aqueles que caminham connosco.
É um livro que recomendo a qualquer pessoa que lidere equipas. Não dá fórmulas fáceis. Dá algo mais raro, que é uma nova forma de ver.

Sinopse
Este livro nasce do maior estudo alguma vez feito sobre gestão e liderança de pessoas. Ao longo de cerca de 25 anos, a organização Gallup entrevistou oitenta mil gestores de centenas de empresas, de diferentes países e setores, desde grandes executivos a jovens empreendedores, e ouviu ainda cerca de um milhão de trabalhadores para descobrir o que estes esperam de quem os lidera. A conclusão surpreendeu os próprios autores. Os melhores gestores adotam comportamentos que contrariam grande parte da sabedoria convencional da gestão.
O livro revela aquilo que estes gestores de exceção fazem de diferente. Contratam sobretudo pelo talento e não apenas pela experiência, definem objetivos olhando para os resultados e não para os passos até lá, motivam as pessoas investindo nos seus pontos fortes em vez de nas suas deficiências, e desenvolvem cada colaborador procurando a função certa para ele, em vez de o promoverem automaticamente. A grande regra que ensinam a quebrar é a chamada regra de ouro. Em vez de tratar os outros como nós gostaríamos de ser tratados, defendem que se deve tratar cada pessoa como ela gostaria de ser tratada. 

Porquê estes livros

 O Lado Difícil das Situações Difíceis, de Ben Horowitz


 
O que me ficou

Poucos livros me falaram tão de perto como este. Horowitz tem a coragem rara de dizer aquilo que quase todos não dizem, que dirigir uma empresa é uma tarefa difícil e, sobretudo, solitária. Não idealiza nada. Mostra o líder às três da manhã, com uma decisão nas mãos que ninguém pode tomar por ele.
Ficou-me a ideia de que a solidão de quem decide não é um defeito do sistema, é a sua própria natureza. Podemos rodear-nos das melhores pessoas, ouvir todos os pareceres, mas o instante da escolha é sempre nosso. E ficou-me também o exemplo da honestidade como forma de liderar. Horowitz defende que, nos momentos difíceis, o pior que um líder pode fazer é esconder o problema. Revi-me nisso. A confiança de uma equipa constrói-se precisamente quando lhe dizemos a verdade, mesmo quando custa.
Não é um livro de fórmulas. É um livro de cicatrizes. E talvez seja por isso que ensina tanto.
 
Sinopse

Ben Horowitz é um dos empresários e investidores mais respeitados do Vale do Silício, cofundador da Andreessen Horowitz. Neste livro conta, sem rodeios, a história de como fundou, dirigiu, comprou, vendeu e geriu empresas de tecnologia, e reúne os conselhos que aprendeu pelo caminho para resolver os problemas mais difíceis de dirigir uma empresa, aqueles que os manuais de gestão não ensinam. Fala com honestidade das realidades pouco glamorosas da liderança, desde o momento de despedir alguém próximo, até saber quando é altura de vender. É um retrato cru e prático daquilo que significa ser CEO, e da pressão que se sente quando a responsabilidade final é sempre nossa.

SPIN Selling, de Neil Rackham


o que me ficou

Este é, de todos os livros de vendas que li, aquele que mais respeito, e por uma razão simples. Não assenta em opiniões nem em fórmulas motivacionais. Assenta em investigação séria, com dezenas de milhares de visitas comerciais reais observadas no terreno.
A conclusão de Rackham é desconcertante para quem foi formado na escola tradicional das vendas. Quanto maior e mais complexa é a venda, menos eficazes se tornam as técnicas de insistência e de fecho. O que funciona é compreender antes de propor, e conduzir o cliente, através das perguntas certas, a perceber por si próprio o valor daquilo que tem à frente.
O que mais me ficou foi a demonstração, com dados, de algo que a experiência já me sugeria. Os melhores comerciais não são os que melhor argumentam, são os que melhor perguntam. Falam menos, escutam mais e chegam mais longe.
É uma leitura exigente e não é um livro de receitas fáceis. Mas para quem lida com vendas de valor, onde a decisão é ponderada e a relação é longa, é provavelmente a obra mais sólida que existe. Vale cada página.

Sinopse
SPIN Selling, de Neil Rackham, é o livro de vendas mais rigorosamente investigado alguma vez escrito. Resultou de doze anos de trabalho e de um investimento de um milhão de dólares, com a observação direta de trinta e cinco mil visitas comerciais reais, realizadas por dez mil vendedores em vinte e três países, em empresas como a IBM, a Xerox e a Citibank.
A conclusão que dele resulta contraria muito do que se ensinava até então. Rackham demonstra, com dados e não com opiniões, que as técnicas tradicionais de vendas, assentes na insistência, na argumentação e nas técnicas de fecho, são pouco eficazes nas vendas de valor elevado. Podem funcionar em vendas pequenas e imediatas, mas prejudicam o resultado quando a decisão é complexa e envolve várias pessoas e várias etapas.
O que funciona, segundo a investigação, é outra coisa. É a capacidade de compreender profundamente a situação do cliente através de um método de perguntas estruturado, ao qual dá o nome de SPIN, quatro tipos de perguntas que conduzem o cliente a perceber, por si próprio, o valor daquilo que lhe é proposto.
Quase quarenta anos depois, continua a ser a base sobre a qual assentam praticamente todas as metodologias modernas de venda.
 

Porquê estes livros

The Coaching Habit, de Michael Bungay Stanier


o que me ficou

Este livro toca num hábito que quase todos os líderes têm e poucos questionam. O de responder depressa de mais.
Quando alguém nos traz um problema, o instinto é dar logo a solução. Resolve-se o momento, sente-se que se está a ser útil, e segue-se em frente. O que não se percebe é que, ao fazê-lo repetidamente, criamos pessoas que dependem de nós para tudo e sobrecarregamo-nos a nós próprios com problemas que não deveriam ser nossos.
Bungay Stanier propõe algo simples e desconcertante. Dizer menos e perguntar mais. Não porque o líder não saiba a resposta, mas porque a pergunta certa faz a pessoa encontrar a sua, e quem encontra a resposta sozinho aprende de uma forma que nenhuma instrução consegue ensinar.
O que mais me ficou foi perceber que a boa liderança tem tanto de contenção como de ação. Saber calar-me quando quero falar, saber perguntar quando quero resolver. É difícil, contraria o instinto, mas é assim que se formam pessoas capazes em vez de pessoas dependentes.
Um livro curto, direto e útil para quem lidera equipas e quer que elas cresçam em vez de se limitarem a executar.

Sinopse
The Coaching Habit, de Michael Bungay Stanier,  parte de uma constatação simples. A maioria dos líderes responde depressa de mais. Perante um problema trazido por um colaborador, o instinto é dar a solução, o que resolve o momento mas impede a pessoa de crescer e sobrecarrega quem lidera.
O autor propõe uma alternativa que resume no subtítulo, dizer menos e perguntar mais. Defende que o verdadeiro papel de um líder não é ter todas as respostas, mas fazer as perguntas que ajudam as pessoas a encontrar as suas.
O livro organiza-se em torno de sete perguntas essenciais, que qualquer líder pode usar em conversas do dia a dia, sem necessidade de formação especializada em coaching. Entre elas, a pergunta inicial que abre qualquer conversa, a que aprofunda o verdadeiro problema, e a que evita que o líder assuma a responsabilidade que deve ficar com o colaborador.
A tese central é que liderar melhor não exige mais tempo, exige um hábito diferente. O de resistir ao impulso de resolver, e escolher, em vez disso, perguntar.

 

The Effective Executive, de Peter Drucker


O que me ficou

Poucos livros me marcaram tanto na forma de pensar a gestão como este. Drucker tem a rara capacidade de dizer, com simplicidade, verdades que demoramos anos a aprender por experiência própria.
A ideia que mais me ficou é a de que a eficácia não é um dom, é uma disciplina. Não se trata de ser mais inteligente ou de trabalhar mais horas, trata-se de fazer as coisas certas, de concentrar a energia no que verdadeiramente produz resultados e de ter a coragem de deixar o resto de lado.
Ficou-me também a insistência de Drucker na gestão do tempo como base de tudo. Ele diz que quem não controla o seu tempo não controla mais nada, e a experiência confirma-o todos os dias. Assim como a ideia de construir sobre as forças das pessoas, em vez de nos fixarmos nas suas fraquezas, que mudou a forma como olho para as equipas.
É um livro que releio de tempos a tempos, e de cada vez encontro algo que a experiência entretanto me ajudou a compreender melhor. Para quem quer ser um gestor eficaz, e não apenas um gestor ocupado, é leitura obrigatória.

Sinopse
The Effective Executive, de Peter Drucker, é um dos livros de gestão mais influentes de sempre, publicado originalmente em 1966 e nunca ultrapassado. A tese central é tão simples quanto poderosa. A eficácia não é um talento com que se nasce, é uma disciplina que se aprende e se pratica.
Drucker argumenta que a inteligência, a imaginação e o conhecimento são recursos importantes, mas só se convertem em resultados através da eficácia, ou seja, da capacidade de fazer as coisas certas. E identifica um conjunto de práticas que qualquer pessoa pode desenvolver para se tornar eficaz.
Entre elas, saber onde se gasta o tempo e geri-lo com rigor, concentrar-se nos resultados e no contributo em vez das tarefas, construir sobre as forças, das pessoas e as suas, em vez de se fixar nas fraquezas, concentrar-se nas poucas prioridades que verdadeiramente importam, e tomar decisões eficazes e fundamentadas. O livro dedica um capítulo inteiro à gestão do tempo, que considera o ponto de partida de toda a eficácia.

Porquê estes livros

The One Thing, de Gary Keller e Jay Papasan


o que me ficou

Vivemos rodeados de distrações e da ilusão de que fazer muitas coisas ao mesmo tempo é sinal de eficiência. Este livro desmonta essa ideia com uma clareza que agradeço.
Keller defende que os grandes resultados não vêm de fazer mais, mas de fazer primeiro aquilo que realmente importa. E que a chave está em ter a coragem de identificar a única coisa que, feita bem, torna tudo o resto mais fácil ou até dispensável. Numa altura em que todos se orgulham de andar ocupados, esta é uma mensagem quase contracorrente.
O que mais me ficou foi a distinção entre estar ocupado e ser produtivo. São coisas diferentes, e muitas vezes opostas. Andar sempre a correr, a apagar incêndios, a responder a tudo, dá a sensação de trabalho, mas raramente produz os resultados que uma única prioridade bem executada consegue.
É um livro valioso para qualquer empresário que se sinta permanentemente assoberbado e que queira trocar a dispersão pelo foco. Porque, no fim, não é quem faz mais que vence. É quem faz primeiro, e melhor, aquilo que verdadeiramente conta.

Sinopse
The One Thing, de Gary Keller e Jay Papasan, defende uma ideia tão simples quanto poderosa. Em qualquer área da vida ou dos negócios, os resultados extraordinários nascem da concentração numa única coisa essencial, e não da dispersão por muitas.
Os autores argumentam que a produtividade não se alcança fazendo mais, mas fazendo primeiro o que verdadeiramente importa. Propõem uma pergunta central, a que chamam a pergunta focal. Qual é a única coisa que posso fazer, de tal forma que, ao fazê-la, tudo o resto se torna mais fácil ou desnecessário.
O livro critica alguns mitos muito difundidos, como a ideia de que se consegue fazer tudo ao mesmo tempo, de que a multitarefa é eficiente ou de que a disciplina tem de ser permanente em todas as frentes. Em vez disso, defende a concentração de energia, o estabelecimento de prioridades claras e a criação de hábitos certeiros que produzem um efeito de dominó, em que um sucesso desencadeia o seguinte.

 

Leaders Eat Last  - Why Some Teams Pull Together and Others Don't


O que me ficou
Este livro parte de uma ideia simples e desconcertante. O líder come por último. Serve primeiro os seus, e só depois a si próprio.
Sinek defende que uma equipa não dá o seu melhor por causa de ordens ou incentivos, mas por causa da confiança. Quando as pessoas sentem que quem as lidera as protege e se preocupa genuinamente com elas, retribuem com uma lealdade e uma entrega que nenhum salário compra. Quando sentem o contrário, limitam-se a proteger-se, e o negócio ressente-se.
O que mais me ficou foi perceber que liderar é, antes de tudo, uma responsabilidade para com as pessoas, e não um privilégio. O líder que só pensa em si pode mandar, mas nunca inspira. O que coloca a equipa à frente ganha algo muito mais valioso do que obediência, ganha confiança.
É uma leitura que faz qualquer líder olhar para dentro e perguntar-se que tipo de ambiente está a criar à sua volta. Porque no fim, as equipas dão o melhor não a quem as controla, mas a quem cuida delas.

Sinopse 
Leaders Eat Last, de Simon Sinek, parte de uma imagem retirada do mundo militar. No corpo de Ranger, os oficiais comem sempre depois dos seus soldados. Não por regra escrita, mas por princípio. O verdadeiro líder serve primeiro os seus, e só depois a si próprio.
A partir daí, Sinek desenvolve a sua tese central. As melhores equipas não são as que têm os melhores indivíduos, mas aquelas onde existe confiança e sentimento de segurança. Quando as pessoas sentem que o líder as protege e cuida delas, retribuem com lealdade, cooperação e entrega. Quando sentem que competem entre si ou que estão desprotegidas, gastam energia a defender-se em vez de trabalhar em conjunto.
O autor recorre à biologia para o explicar, mostrando como certas substâncias que o nosso corpo produz, ligadas à confiança e à pertença, moldam o comportamento nas organizações. A conclusão é clara. Cabe ao líder criar o ambiente seguro em que as pessoas dão o seu melhor, colocando o bem-estar da equipa acima do seu próprio interesse imediato.

Porquê estes livros

The Five Dysfunctions of a Team, de Patrick Lencioni.


O que me ficou
Este livro tem uma virtude rara. Explica de forma simples aquilo que qualquer líder já sentiu na pele, mas que nem sempre soube nomear.
Lencioni mostra que uma equipa não falha por falta de talento, falha por falta de confiança. E que tudo o resto vem daí. Sem confiança, ninguém discute com franqueza. Sem discussão honesta, não há verdadeiro compromisso. Sem compromisso, ninguém se cobra a ninguém. E sem cobrança, os resultados deixam de ser a prioridade.
O que mais me ficou foi perceber que muitas equipas educadas e sem conflitos aparentes não são equipas saudáveis, são apenas equipas caladas. O silêncio confunde-se com harmonia, quando muitas vezes é só ausência de confiança para dizer o que se pensa.
É uma leitura essencial para quem constrói equipas e quer que elas funcionem de verdade, com pessoas que se responsabilizam umas às outras e colocam o resultado do conjunto acima do seu próprio protagonismo. Para quem quer profissionalizar uma organização, começa tudo aqui.

Sinopse 
The Five Dysfunctions of a Team, de Patrick Lencioni.
 É um dos livros mais influentes sobre trabalho em equipa e liderança. Ao contrário da maioria das obras de gestão, é escrito em forma de fábula, acompanhando uma nova líder que assume uma equipa de topo disfuncional e tem de a reconstruir.
A partir dessa história, Lencioni apresenta um modelo claro das cinco disfunções que impedem qualquer equipa de funcionar. A ausência de confiança, o medo do conflito, a falta de compromisso, a fuga à responsabilização e a desatenção aos resultados.
As cinco encadeiam-se, cada uma alimentando a seguinte.
A tese central é poderosa. Uma equipa só atinge todo o seu potencial quando os seus membros confiam uns nos outros ao ponto de discutirem abertamente, se comprometerem com as decisões, se cobrarem mutuamente e colocarem os resultados coletivos acima dos interesses individuais.

Raving Fans, de Ken  Blanchard e Sheldon Bowles.


O que me ficou

Há uma ideia neste livro que devia estar afixada na parede de qualquer negócio. Um cliente satisfeito não é suficiente. Um cliente satisfeito é apenas alguém que ainda não encontrou razões para se queixar, e que troca de fornecedor mal apareça algo ligeiramente melhor.
Blanchard defende que o objetivo não é satisfazer, é encantar. Transformar clientes em fãs, pessoas que voltam sempre e que falam da nossa marca aos outros sem que lhes peçamos nada. Num setor como o da beleza, onde a relação com o cliente é tudo, esta ideia vale ouro.
O que mais me ficou foi a simplicidade do método. Não é preciso revolucionar tudo de um dia para o outro. Basta saber que experiência queremos oferecer, ouvir verdadeiramente o cliente e melhorar um pouco de cada vez, de forma consistente. É a soma desses pequenos passos que constrói a diferença.
É um livro curto, quase uma fábula, mas com uma lição que muitos negócios levam anos a compreender. Não vale a pena competir por preço quando se pode competir por uma experiência que ninguém consegue copiar. 


Sinopse 
Raving Fans, de Ken Blanchard e Sheldon Bowles. 
É um clássico sobre serviço ao cliente, escrito em forma de fábula. Acompanha um gestor recém-nomeado que aprende, com a ajuda de um mentor, a transformar a forma como a sua empresa trata os clientes.
A tese central é provocadora. Ter clientes satisfeitos já não chega. Um cliente satisfeito é um cliente indiferente, que muda de fornecedor à primeira oportunidade. O verdadeiro objetivo deve ser criar fãs entusiásticos, clientes tão encantados com o serviço que se tornam divulgadores espontâneos da marca.
Blanchard resume o método em três princípios simples. Decidir o que se quer, ou seja, ter uma visão clara da experiência que se quer proporcionar. Descobrir o que o cliente quer, ouvindo-o de verdade. E entregar mais um por cento de forma consistente, melhorando continuamente em vez de tentar mudar tudo de uma vez.

Profit First, de Mike Michalowicz


O que me ficou
O que me ficou
Há uma frase que resume tudo o que este livro defende. O lucro não é o que sobra, é o que se separa primeiro.
Michalowicz pega numa verdade que muitos empresários conhecem mas poucos praticam. Se deixarmos o lucro para o fim, para aquilo que resta depois de pagar tudo, o mais provável é que não sobre nada. A lógica dele é inverter a ordem. Separar o lucro logo à cabeça e obrigar a empresa a funcionar com o resto.
O que me ficou foi a inteligência de perceber que isto não é uma questão de contabilidade, é uma questão de comportamento. Somos todos mais disciplinados com aquilo que fica de fora do nosso alcance. O método aproveita essa natureza humana em vez de lutar contra ela.
É um livro particularmente valioso para quem gere pequenas e médias empresas e vive o eterno problema de faturar muito e ver pouco no fim do ano. Não é um tratado teórico. É um sistema prático, simples de entender, que ataca de frente aquilo que separa uma empresa que dá lucro de uma que apenas dá trabalho.

Sinopse 
Profit First, de Mike Michalowicz, propõe uma inversão radical na forma como as empresas encaram o lucro. A fórmula tradicional diz que o lucro é o que sobra depois de pagar todas as despesas. Michalowicz defende exatamente o contrário. O lucro deve vir primeiro, sendo separado logo à cabeça, antes de qualquer despesa, obrigando a empresa a funcionar com o que resta.
O método assenta num princípio de comportamento humano simples. Se o lucro for a última prioridade, raramente aparece. Se for a primeira, torna-se garantido. O autor propõe um sistema prático de divisão da receita por diferentes contas, de forma a assegurar que a rentabilidade deixa de ser uma esperança e passa a ser uma regra.
É um livro particularmente útil para pequenas e médias empresas, porque combate um dos problemas mais comuns do tecido empresarial, o de faturar muito e não ter lucro no fim do ano.

 Traction, de Gino Wickman


 O que me ficou

Este é um livro para quem quer deixar de apagar incêndios e começar a dirigir verdadeiramente a sua empresa.
Wickman defende uma ideia que sempre foi central na minha forma de pensar. Uma empresa não pode depender do improviso nem da presença permanente do fundador. Tem de assentar num sistema, com visão clara, pessoas certas nos lugares certos, indicadores que dizem a verdade e disciplina na execução.
O que mais me ficou foi a insistência na tração, na parte final. De nada serve ter uma boa visão se ela não se traduz em execução consistente, semana após semana. A maioria das empresas não falha por falta de ideias, falha por falta de disciplina a executá-las.
É um livro prático, sem teoria a mais, para quem quer construir uma organização que funcione sozinha e não um negócio que precise do dono para não parar. Para quem pensa em profissionalizar e, um dia, deixar a empresa entregue a si própria, é uma leitura que vale cada página.

Sinopse 
Traction, de Gino Wickman, apresenta um sistema prático de gestão empresarial conhecido como EOS, ou Sistema Operativo Empreendedor.
O livro dirige-se sobretudo a fundadores e gestores de pequenas e médias empresas que sentem que perderam o controlo do negócio, seja pelo excesso de dependência do dono, pela falta de foco ou pela ausência de disciplina na execução.
Wickman defende que dominar uma empresa assenta em seis componentes essenciais, a visão, as pessoas certas, os dados e indicadores, a resolução de problemas, a definição de processos e, por fim, a tração, ou seja, a capacidade de executar com disciplina aquilo que foi planeado.
A proposta central é simples e poderosa. Uma empresa só funciona verdadeiramente quando deixa de depender do improviso e passa a assentar num sistema claro, com objetivos definidos, responsabilidades atribuídas e reuniões disciplinadas que mantêm todos alinhados e responsáveis.

Start With Why de Simon Sinek


O que me ficou

Há livros que confirmam o que já intuíamos, mas que nunca tínhamos sabido pôr em palavras. Para mim, este foi um deles.
Sinek explica algo que sempre senti ao longo do meu percurso. As pessoas não se ligam ao que fazemos, ligam-se à razão por que o fazemos. As marcas e as equipas com um propósito claro inspiram. As outras limitam-se a vender.
Fechei o livro com uma pergunta que ainda hoje me acompanha. Qual é o meu porquê. Não o que faço, nem como o faço, mas o que verdadeiramente me move. É uma pergunta desconfortável, e é por isso mesmo que vale a pena fazê-la.

Sinopse
Start With Why, de Simon Sinek, é um dos livros mais influentes sobre liderança e propósito das últimas décadas, e deu origem a uma das palestras TED mais vistas de sempre. O livro pergunta, e responde, porque é que algumas pessoas e organizações são mais inovadoras, mais influentes e mais rentáveis do que outras, e porque é que algumas conseguem maior lealdade de clientes e colaboradores. GAROA
A resposta de Sinek assenta num conceito central.
A maioria dos líderes começa pelo que faz e por como faz, mas raramente explica porque o faz. Sinek defende que os líderes que inspiram os outros começam sempre pelo porquê, uma crença ou propósito que os move. 
A este modelo Sinek chama o Círculo Dourado.
É uma estrutura composta por três partes, o porquê, o como e o quê, e a sua tese é que as pessoas não compram o que fazemos, compram a razão por que o fazemos.                    O exemplo da Apple ilustra-o bem. A diferença não está no produto, está na forma como comunica, partindo sempre do porquê antes do quê.

The Real-Life MBA, de Jack Welch e Suzy Welch

O que me ficou
Há livros de gestão que vivem de teoria. Este vive exatamente do contrário.
O que Jack e Suzy Welch fazem aqui é destilar décadas de experiência real numa linguagem direta, sem rodeios, focada nos problemas concretos com que qualquer gestor se debate no dia a dia. Não é o MBA das salas de aula. É o MBA do terreno, escrito por quem dirigiu uma das maiores empresas do mundo e por quem conhece os bastidores da gestão como poucos.
Ficou-me a forma como reduzem a complexidade ao essencial. Conhecer bem o negócio, construir equipas fortes através de uma liderança verdadeira, e ter a coragem de tomar as decisões difíceis que a maioria adia. Nada disto é novo, mas poucos o dizem com tanta clareza e tanta honestidade.
É um livro para quem prefere o concreto ao abstrato, e os resultados às intenções.

Sinopse
The Real-Life MBA, de Jack Welch e Suzy Welch, é apresentado como o MBA que a vida real ensina e que as escolas nem sempre dão. Quase uma década depois do seu êxito internacional Vencer, os autores regressam para enfrentar os maiores desafios do mundo dos negócios atual, desde a criação de estratégias vencedoras à liderança e gestão de pessoas e ao desenvolvimento da carreira. A obra distingue-se por fugir da teoria. Reúne décadas de experiência prática e oferece conselhos concretos e aplicáveis para navegar a complexidade do mundo empresarial moderno, com anedotas reais, estratégias claras e a frontalidade que caracteriza os autores.
Os autores concentram-se em três competências essenciais que qualquer pessoa deve dominar, conhecer o jogo para o poder vencer, formar uma grande equipa através de uma liderança forte, e saber gerir a própria carreira.

Good to Great - Jim Collins


O que me ficou

Este é, para mim, um dos livros de gestão mais sólidos alguma vez escritos. Não vive de opiniões nem de modas, vive de investigação séria, de anos de estudo comparado entre empresas que venceram e empresas que ficaram pelo caminho.
A ideia que mais me marcou foi simples e poderosa, primeiro as pessoas, depois a estratégia. Colocar as pessoas certas nos lugares certos antes mesmo de decidir para onde se vai. Durante anos pensei o contrário, e este livro fez-me rever essa convicção.
Ficou-me também a noção de que a grandeza não é sorte nem circunstância. É disciplina aplicada de forma consistente, durante muito tempo, mesmo quando ninguém está a ver.
Um livro para ler com caneta na mão e voltar a abrir de tempos a tempos.

Sinopse
Empresas Feitas para Vencer, de Jim Collins, é um dos livros de gestão mais influentes das últimas décadas. Resultado de cinco anos de investigação, a obra procura responder a uma única pergunta, porque é que algumas empresas conseguem dar o salto de boas para excelentes, enquanto a maioria fica pelo caminho?
Collins e a sua equipa estudaram 28 empresas e identificaram um conjunto de padrões comuns às que alcançaram resultados extraordinários e sustentados ao longo de quinze anos. Desses padrões nascem alguns dos conceitos mais citados na gestão moderna: a Liderança de Nível 5, a ideia de colocar primeiro as pessoas certas nos lugares certos e só depois definir o rumo, o Conceito do Ouriço e o efeito do volante.
A tese central é poderosa na sua simplicidade, a grandeza não é uma questão de circunstância, é uma questão de escolha consciente e de disciplina.

 Vencer — Jack Welch & Suzy Welch

O que me ficou
Jack Welch não escreve sobre teoria. Escreve sobre o que funciona, com a autoridade de quem dirigiu durante duas décadas uma das maiores empresas do mundo.
Escrito em conjunto com Suzy Welch, este livro aborda com uma franqueza pouco comum os temas que realmente importam na gestão, como construir equipas vencedoras, como lidar com quem não performa, como tomar decisões difíceis sem adiar o inevitável e como criar uma cultura de exigência e resultados.
O que me ficou foi precisamente isso. Vencer não é sorte nem talento. É disciplina, clareza e a coragem de fazer o que é necessário, mesmo quando é difícil.
Sinopse:
"Vencer" é o novo livro de Jack Welch, escrito em conjunto com a sua mulher, Suzy Welch. Lançado em simultâneo com os EUA, a versão portuguesa conta com o prefácio de Belmiro de Azevedo.
Jack Welch sabe como vencer. Nos seus 40 anos de carreira na General Electric liderou este Grupo global com sucesso, ano após ano, em múltiplos mercados e enfrentando uma forte concorrência. Os seus pontos de vista optimistas, onde “não existem desculpas” porque “as coisas têm de ser feitas”, são contagiantes. Cheio de relatos de...

Atomic Habits

Sinopse
Imagine que decide passar a correr dez quilómetros por dia. Se é um corredor profissional, até pode saber a pouco. Mas se nunca correu na vida, o seu objetivo revela-se demasiado ambicioso e condenado ao fracasso. No entanto, se usar A Regra dos Dois Minutos, e gastar apenas esse tempo a treinar todos os dias, é bem capaz de, sem dar por isso, estar a caminho da sua primeira maratona.
A maior parte das pessoas pensa que para mudar de vida (ou mudar algo de relevante nas suas vidas) tem de pensar em grande. Mas um dos maiores especialistas mundiais em hábitos, James Clear, propõe uma alternativa. Após décadas de trabalho nessa área, concluiu que as grandes mudanças surgem do efeito combinado de centenas de pequenos atos - seja fazer uma elevação por dia ou acordar cinco minutos mais cedo. É o que o autor chama de Hábitos Atómicos. Neste livro revolucionário, o autor mostra passo a passo como usar essas minúsculas mudanças para conseguir resultados estruturantes na sua vida. Dá-nos as pequenas dicas (como A Regra dos 2 Minutos) mas sobretudo uma metodologia apoiada no melhor que a Psicologia e a Neurociência têm para oferecer. Vai assim ficar a conhecer as quatro leis para a formação de hábitos (a evidência, a atração, a facilidade e a gratificação), e como implementá-las.

 The E-Myth Revisited by Michael E. Gerber

O que me ficou
Gerber explica algo que ninguém nos diz quando começamos: saber fazer bem o nosso trabalho não nos torna automaticamente bons empresários. São competências distintas e confundir as duas é a razão pela qual a maioria dos pequenos negócios nunca cresce de verdade.
O grande contributo deste livro é precisamente esse: fazer-nos perceber que um negócio profissional não se constrói com esforço, constrói-se com sistemas, processos e uma visão clara do que queremos que a empresa seja, independentemente de quem lá está.
Uma leitura essencial para qualquer empreendedor que queira construir algo que funcione, com ou sem ele presente.

Sinopse:
Um clássico da literatura empresarial Um guia prático e indispensável para todos os empreendedores "O Mito do Empreendedor" é um dos livros de negócios mais famosos dos últimos anos e pretende ser um guia para todos os que encaram o universo dos negócios com

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