EUROPA EMPRESARIAL


Bem-vindo a um espaço mais vivo do caderno.


O mundo muda todos os dias. A economia evolui, os mercados reagem, surgem novas tendências de gestão, decisões empresariais e acontecimentos que influenciam a forma como vivemos e fazemos negócios.

Nesta secção encontrará uma seleção das notícias mais relevantes nas áreas da gestão, economia, liderança, empresas, inovação e negócios. Não se trata de acompanhar a atualidade pela atualidade, mas de destacar os temas que realmente ajudam a compreender o presente e a antecipar o futuro.

Sempre que fizer sentido, cada notícia será acompanhada por uma análise, reflexão ou comentário, procurando ir além dos factos e explorar as suas implicações para empresários, gestores, profissionais e todos os que se interessam pelo mundo empresarial.

Porque compreender o que acontece hoje é uma das melhores formas de tomar melhores decisões amanhã.
Boa leitura.

Acontece Agora

02 Outubro 2026


Euro area annual inflation up to 3.8%.


Euro area annual inflation is expected to be 3.8% in September 2026, up from 3.2% in August according to a flash estimate from Eurostat, the statistical office of the European Union.
Looking at the main components of euro area inflation, energy is expected to have the highest annual rate in September (18.8%, compared with 14.3% in August), followed by services (3.2%, compared with 3.0% in August), food, alcohol & tobacco (1.4%, compared with 1.1% in August) and non-energy industrial goods (1.1%, compared with 1.2% in August).

02 Outubro 2026
 

As reservas de pernoites turísticas feitas online aumentaram 5,3% no segundo trimestre de 2026.

Entre abril e junho de 2026, os turistas passaram 258,8 milhões de noites em alojamentos de curta duração na UE, reservados através do Airbnb, Booking ou Expedia. O número total de noites de hóspedes no segundo trimestre de 2026 aumentou 5,3% (+13,1 milhões) em comparação com o mesmo trimestre de 2025 e 23,9% (+...

Acontece Agora

25 Agosto 2026


Patrões alertam para maior carga administrativa na proposta sobre transparência salarial

Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, antevê "mais dores de cabeça para empresas com estruturas reduzidas ou deficitárias.
As confederações empresariais manifestam "reservas" acerca do projeto de proposta de lei sobre a transparência salarial, considerando que introduz mais carga administrativa, e alertam para a "tentação" do legislador de "transpor normas máximas em vez de normas mínimas".

Em resposta escrita à Lusa, o diretor-geral da CIP - Confederação Empresarial de Portugal defende, que, apesar da intenção ser "boa", a diretiva europeia "vem em contramão com o espírito desburocratizante da Europa", considerando que "introduz mais carga administrativa e pode ter efeitos perversos ao nível da gestão de pessoas, dos custos laborais, da cultura organizacional e do risco jurídico".
 

 24 de agosto de 2026
 

Prestação da casa volta a subir em setembro (e num dos casos vai ter o maior agravamento em quase 3 anos)

As famílias com crédito à habitação indexado à Euribor enfrentam uma nova subida das prestações em setembro, num momento em que as três principais maturidades continuam a registar valores elevados. Os dados disponíveis até 26 de agosto apontam para uma prestação de 673,82 euros nos contratos indexados à Euribor a três meses, de 690,93 euros na Euribor a seis meses e de 711,72 euros na Euribor a 12 meses, considerando um financiamento de 150 mil euros, um prazo de 30 anos e um spread de 1%.
Nuno Rico, especialista da DECO PROteste, considera que as perspetivas são de agravamento das prestações, numa altura em que as médias da Euribor continuam a subir, num movimento influenciado pelo contexto internacional e, em particular, pelo conflito no Médio Oriente.


04 de Setembro de 2026



Ministro das Finanças celebra subida de rating como “mais uma grande vitória de Portugal.



Decisão “demonstra a confiança dos investidores internacionais na economia portuguesa”, assinala o Ministério, frisando que “apenas seis países da Zona Euro têm neste momento classificação superior".

Acontece Agora

13 de agosto de 2026

Europa: indústria praticamente estagnada.
Europa a duas velocidades, indústria estagnada enquanto os serviços resistem

Eurostat divulgou que a produção industrial da Zona Euro ficou praticamente estagnada em junho face a maio, e cresceu apenas 0,1 por cento em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os dados desenham uma Europa a duas velocidades. Por um lado, os serviços e o consumo continuam a sustentar a atividade económica. Por outro, a indústria mantém-se muito fraca, sem sinais claros de recuperação. Para Portugal, este retrato é mais relevante do que possa parecer à primeira vista, porque Espanha, França e Alemanha, os motores industriais europeus, são mercados fundamentais para as nossas exportações. Quando a indústria destes países abranda, o efeito acaba por chegar a muitas empresas portuguesas que os fornecem ou que deles dependem.

Fonte: Eurostat, dados da produção industrial da Zona Euro relativos a junho de 2026.

 19 de agosto de 2026
 


O novo aplicativo da Meta para Mac ajuda influenciadores e pequenas empresas a aproveitar a inteligência artificial


A Meta anunciou na quarta-feira o lançamento de um novo aplicativo para Mac que ajudará influenciadores e pequenas empresas a usar inteligência artificial para aprimorar a forma como promovem produtos e administram seus negócios.

Por que isso é importante: Essa mudança coloca a ferramenta de IA da Meta para trabalhar na publicidade, onde a empresa ganha dinheiro.

O que está acontecendo: A Meta afirma que o novo aplicativo para Mac oferece um local único para os consumidores se conectarem às suas ferramentas de IA, além de permitir que empresas e criadores que usam suas ferramentas de publicidade vejam o que está funcionando e o que não está, e criem mensagens mais personalizadas.


14 de agosto de 2026



Salário médio dos trabalhadores em Portugal sobe 5,1% para 1.835 euros




O salário médio dos trabalhadores em Portugal abrandou no segundo trimestre do ano. De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o ordenado médio subiu 5,1% entre abril e junho, menos 0,3 pontos percentuais do que tinha crescido no arranque do ano, e fixou-se em 1.835 euros brutos. Descontando a inflação, o aumento foi de 1,8%.

Acontece Agora

16 de julho de 2026

Como o relacionamento bancário pode ajudar as PMEs e os bancos a desbloquearem mais valor ao longo da vida útil do cliente.

Muitas PME perdem financiamento por serem tratadas como simples consumidores

Um estudo recente da Visa, o relatório The Multiplier Effect sobre a banca das pequenas e médias empresas, revela um problema silencioso que afeta a tesouraria de muitos negócios. Uma parte significativa das PME está a deixar de aceder a fontes importantes de financiamento junto dos seus bancos por uma razão inesperada. As instituições financeiras não sabem que estão a lidar com o dono de uma empresa, e continuam a tratá-lo como um cliente particular de retalho. O resultado é que empresário e banco perdem, ambos, a oportunidade de construir uma relação de longo prazo mais rica e mais vantajosa. É um lembrete útil de que, na gestão da tesouraria, não basta ter um bom banco. É preciso garantir que o banco nos conhece de facto como empresa, e não apenas como titular de uma conta.
Fonte: Relatório The Multiplier Effect, SMB Banking Report, da Visa.

 7 de agosto de 2026
 

Mas haverá ainda lugar para o pensamento estratégico?

A pergunta que escolhi para título desta crónica pode parecer capciosa, deslocada e até algo absurda, numa altura em que, aparentemente, tanto se valoriza tudo aquilo que, por uma razão ou por outra, se apresenta sob a roupagem da estratégia.

No entanto, subsiste hoje uma dúvida legítima quanto à verdadeira substância deste conceito, a estratégia, numa altura em que toda a atividade profissional e social parece cada vez mais funcionar na lógica do imediatismo, do “paragorismo” (“é tudo para agora”) e nessa famosa prédica de que “o futuro é já hoje”. Ora, se, como toda a gente sabe, estratégia, qualquer que seja o contexto em que se move, é, por definição, uma questão de longo prazo, centrada no futuro, como é que isso se compagina com a ideia, que lhe parece contrária, de que “o futuro é já hoje”?
Fonte: Crónicas By RHmagazine Mário Ceitil

13 de agosto de 2026

BCE mantém taxas de juro, mas adverte que vêm aí mais inflação.

O Conselho do Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro inalteradas, num contexto marcado por elevada incerteza geopolítica e pela persistência do choque energético associado ao conflito no Médio Oriente. O alerta é importante para as empresas. Segundo o Boletim Económico do BCE, os riscos para os preços apontam para cima, com o choque energético a traduzir-se em custos mais elevados para as empresas e, por consequência, em preços de venda mais altos. Há, ainda assim, um sinal positivo. A atividade económica registou uma ligeira melhoria no segundo trimestre de 2026, e o desemprego fixou-se nos 6,2 por cento em maio, perto de mínimos históricos.
Fonte: Luís Reis Ribeiro - DN

Acontece Agora

7 de junho de 2026

Por que os novos contratados fracassam,
89% das falhas de contratação são resultado de atitude, não de falta de habilidades técnicas.

Há uma ideia que ficou comigo depois de ler este artigo da Harvard Business Review.
Nenhum gestor está imune a fazer uma má contratação. Por mais experiência que tenha, por mais rigoroso que seja o processo de recrutamento, haverá sempre decisões que, com o tempo, se revelam erradas. Faz parte da gestão.
O verdadeiro problema começa quando o gestor se recusa a aceitar essa realidade.
Muitas vezes, insistimos porque já investimos demasiado tempo na integração, porque acreditamos que a pessoa vai mudar, porque receamos o impacto de voltar a recrutar ou simplesmente porque admitir o erro também é reconhecer uma decisão menos conseguida.
Mas cada semana de adiamento tem um custo. A produtividade diminui, a equipa perde confiança, os melhores colaboradores começam a sentir injustiça e a empresa deixa de avançar ao ritmo que poderia.
Uma má contratação raramente destrói uma empresa. O que a pode prejudicar seriamente é a incapacidade de agir quando os sinais são evidentes.
A gestão exige coragem para decidir, mas exige ainda mais coragem para corrigir uma decisão quando os factos demonstram que ela não foi a acertada.
Foi isso que me ficou deste artigo. Não somos avaliados pela capacidade de nunca errar. Somos avaliados pela rapidez, pela lucidez e pela responsabilidade com que corrigimos os nossos erros.
Porque, no fim, o maior erro não é contratar a pessoa errada. É permitir que essa decisão errada permaneça durante demasiado tempo.

04 de agosto de 2026
 

Por que as empresas impulsionadas por IA precisam urgentemente de uma nova mentalidade de liderança?

Durante anos olhámos para a Inteligência Artificial como mais uma ferramenta capaz de aumentar a produtividade. Talvez esse tenha sido o primeiro erro.
O que me ficou deste artigo é que o verdadeiro impacto da IA não está em fazer mais depressa aquilo que já fazíamos. Está em obrigar-nos a questionar se devemos continuar a fazê-lo da mesma forma.
E isso coloca a liderança perante um desafio muito maior do que o tecnológico.
Liderar deixará progressivamente de significar apenas gerir pessoas, departamentos e recursos. Passará também por saber desenhar e governar sistemas onde pessoas, dados e tecnologia trabalham em conjunto, sem perder algo que considero essencial: a responsabilidade continua a ser humana.
Podemos delegar tarefas à tecnologia. Podemos automatizar decisões. Podemos aumentar extraordinariamente a capacidade de uma organização. Mas não podemos automatizar a responsabilidade de quem lidera.
Talvez seja esta a mudança mais importante: a IA não diminui a importância da liderança. Torna-a mais exigente.
Fonte: Raj Sharma e Vivek Nijhon.

04 de agosto de 2026

A dificuldade de conseguir uma contratação baseada no mérito.

Li há dias um artigo que me fez pensar. Defendia que contratar pelo mérito, ou seja, escolher verdadeiramente o melhor candidato, é bem mais difícil do que parece, e que a boa intenção de o fazer não basta. Revi-me na ideia. Toda a gente diz que contrata pelo mérito. Poucos têm, de facto, os instrumentos para o garantir.

Sempre defendi a meritocracia como o princípio mais justo para gerir pessoas. Mas aprendi uma verdade incómoda ao longo dos anos. Querer contratar pelo mérito e conseguir fazê-lo são coisas muito diferentes.

O erro mais comum, e cometi-o muitas vezes, é confiar demasiado na primeira impressão. Recebemos um candidato, conversamos uma hora, ficamos com uma sensação e decidimos com base nela. Chamamos-lhe intuição. A investigação sobre seleção diz-nos, porém, algo desconcertante. A entrevista tradicional, feita de conversa livre, é um dos piores instrumentos para prever o desempenho futuro de alguém. Deixamo-nos influenciar pela simpatia, pela boa apresentação, pela semelhança connosco. Julgamos avaliar mérito, quando muitas vezes estamos apenas a avaliar afinidade.

É aqui que está a dificuldade. O mérito nem sempre se vê. Um bom candidato pode ser tímido numa entrevista. Um candidato menos capaz pode ser encantador. Se decidimos pela superfície, arriscamo-nos a premiar a aparência do mérito, e não o mérito.

A conclusão a que cheguei é a de que a meritocracia não se garante com boas intenções, garante-se com método. Contratar por mérito exige instrumentos que avaliem aquilo que realmente prevê o sucesso na função. Provas práticas que mostrem o candidato a fazer o que terá de fazer. Critérios definidos antes da entrevista, e iguais para todos. Perguntas estruturadas, colocadas da mesma forma a cada um. Verificação séria de referências. Não se trata de eliminar o julgamento humano, mas de o disciplinar, de o proteger das suas próprias armadilhas.

Há ainda uma dimensão que aprendi a valorizar. O mérito de que uma empresa precisa nem sempre é o mais evidente no papel. Já vi currículos brilhantes revelarem-se medíocres, e pessoas com pouca experiência revelarem-se extraordinárias, pela atitude e pelo carácter. O verdadeiro mérito mede-se pela capacidade de entregar valor e de crescer, não apenas pelo que já se fez.

Fico com uma convicção reforçada. A meritocracia é o princípio certo, mas é também o mais exigente. Quem contrata pela intuição de uma conversa está a jogar aos dados com o futuro do seu negócio. Quem contrata com método dá ao mérito, e à sua empresa, a melhor hipótese de vencer. Porque a verdadeira meritocracia não é a que se proclama. É a que se constrói.

Acontece Agora

2 de junho de 2026

Inflação e custos da energia no topo das preocupações das empresas

Um estudo da consultora QSP veio confirmar aquilo que muitos empresários já sentem no dia a dia. Com a guerra no Médio Oriente a fazer disparar os preços da energia, quase metade dos profissionais inquiridos, 45,2 por cento, aponta a inflação e os custos energéticos como o principal risco que as suas empresas enfrentam num futuro próximo. É um sinal claro de que, mais do que a concorrência ou a procura, é a pressão sobre os custos que hoje tira o sono a quem gere. Uma preocupação que se faz sentir de forma particular num país como Portugal, mais exposto à volatilidade dos preços da energia e dependente de importações.
Fonte: Jornal Económico

5 de março de 2026 

Até 75% a fundo perdido para as PME digitalizarem e adotarem inteligência artificial

Há uma oportunidade que nenhuma PME atenta deve deixar passar. A Estratégia Digital Nacional definiu como meta ter 90 por cento das pequenas e médias empresas portuguesas com um nível básico de digitalização até 2030, quando hoje pouco mais de metade lá chegou. Para fechar essa distância, o Governo mobilizou mais de mil milhões de euros através do Portugal 2030 e de programas específicos, com apoios que podem chegar aos 75 por cento a fundo perdido. Falamos de financiamento para ferramentas que fazem hoje a diferença numa empresa, como sistemas de ERP e CRM, automação, cibersegurança e inteligência artificial. Numa altura em que a tecnologia deixou de ser um luxo para passar a ser uma condição de competitividade, este é um apoio que merece toda a atenção de quem gere uma PME e quer preparar o seu negócio para a próxima década.

Fonte: PME Incentivos. Confirme sempre os prazos e condições nos portais oficiais do COMPETE 2030, IAPMEI e Portugal 2030.

 5 de agosto de 2026

Por que profissionais contratados lateralmente raramente se tornam CEOs?

A competência abre portas. A legitimidade decide quem entra.
Foi esta a principal ideia que retirei deste artigo.
Nas empresas, sobretudo ao nível da gestão de topo, tendemos a acreditar que os melhores resultados produzem, inevitavelmente, os melhores líderes. Mas a realidade é mais complexa. Um executivo pode cumprir objetivos, transformar uma área de negócio e ser reconhecido pelo seu desempenho, sem nunca ser visto como a pessoa certa para liderar toda a organização.

A diferença está na legitimidade.

Ser CEO não significa apenas saber gerir. Significa representar uma empresa, a sua cultura, os seus valores e a confiança de quem nela trabalha. Essa confiança não se conquista apenas através dos números. Constrói-se todos os dias, nas relações, na capacidade de unir pessoas e na forma como os outros passam a olhar para esse líder.
Também retirei outra reflexão importante. Muitas organizações avaliam apenas aquilo que conseguem medir: resultados, indicadores e desempenho. Esquecem-se de avaliar algo muito mais difícil de quantificar, mas muitas vezes decisivo: a influência, a credibilidade e a confiança que um líder inspira.
No final, a sucessão não é apenas um processo de escolher quem é mais competente. É escolher quem a organização reconhece como o seu verdadeiro representante.
E essa diferença, tantas vezes invisível, explica porque alguns excelentes executivos nunca chegam ao lugar de CEO. 
 

Acontece Agora

8 de janeiro de 2026

O Mercado de Cosméticos em Portugal em 2026: Projeções, Desafios e Oportunidades

O setor de cosméticos e cuidados pessoais em Portugal entra em 2026 com perspetivas positivas, integrado num mercado europeu avaliado em cerca de 141 mil milhões de euros em 2025, com projeção de crescimento anual composto de 4,45% até 2030. Em Portugal, o mercado fechou 2024 nos 1.346 milhões de euros, com crescimento de 7,03% e consumo per capita próximo dos 126 euros por pessoa/ano. Do lado regulatório, o Decreto-Lei n.º 23/2025 reforça a supervisão do Infarmed e exige registo obrigatório das atividades de fabrico e importação, e há novas restrições a substâncias, além da Diretiva de Alegações Verdes da UE, que exige evidências científicas para claims ecológicos. As fontes citadas pela VMTV incluem AIC, Euromonitor, Infarmed e Mintel..

27 Fevereiro 2026

A Inflação Desceu, e é Precisamente Isso que me Preocupa

No mês anterior era de 3,2%

Abri o jornal esta semana e a manchete era animadora. A inflação em Portugal abrandou em julho para três por cento, depois dos três vírgula dois por cento do mês anterior. À primeira vista, é uma boa notícia, e não deixa de o ser. Mas já percebi há muito tempo que os títulos servem para nos chamar, e que a verdade costuma estar duas linhas mais abaixo. Foi lá que a encontrei.
Por baixo daquele número que desceu, escondia-se outro que subiu. A chamada inflação subjacente, aquela que exclui os produtos energéticos e os alimentos não transformados, acelerou para dois vírgula seis por cento. E é este o número que tenho de olhar com atenção, porque é ele que revela a verdadeira temperatura dos preços.

O que os números dizem de facto

A explicação é simples e vale a pena entendê-la. A inflação total desceu sobretudo porque a energia e alguns alimentos ficaram mais baratos. São preços voláteis, que sobem e descem ao sabor do petróleo, do clima e dos mercados internacionais, e sobre os quais ninguém em Portugal tem grande controlo.
A inflação subjacente é outra coisa. Ela mede aquilo que é mais estrutural e mais permanente, os serviços e os bens que não dependem do preço do barril. Quando esta sobe, está a dizer-nos que a pressão sobre os preços não é passageira, é de fundo. Por outras palavras, o alívio que sentimos ao abastecer o carro pode estar a esconder um encarecimento silencioso de quase tudo o resto.

Porque é que isto importa a quem gere

Para quem dirige uma empresa, esta distinção não é um preciosismo de economista. É o que separa uma boa decisão de um erro caro.
Um gestor que leia apenas a manchete respira de alívio e baixa a guarda. Pensa que a tempestade passou e adia decisões sobre preços, custos e margens. Um gestor que leia o número de baixo percebe que a pressão continua, e que os seus custos estruturais, os salários, os serviços, as rendas, os fornecimentos, vão continuar a subir independentemente do preço dos combustíveis.
A diferença entre os dois, ao fim de um ano, mede-se em margem. E a margem, como costumo repetir, não é vaidade. É oxigénio. É ela que permite a uma empresa investir, resistir a um mau ano e recompensar quem trabalha bem.

Conclusão

Fico com uma ideia que ultrapassa em muito o tema da inflação. Vivemos rodeados de manchetes, de resumos e de números fáceis de partilhar. E há uma tentação enorme em contentarmo-nos com a primeira linha, porque é cómoda e porque toda a gente a repete.
Mas dirigir uma empresa é, no fundo, um exercício permanente de ler para além do título. É desconfiar do número redondo, procurar o que ele esconde, e ter a paciência de descer até onde mora a verdade. Quem se fica pela superfície é governado pelos acontecimentos. Quem tem a disciplina de aprofundar é que governa o seu negócio.
A inflação desceu, dizem os jornais. E sim, desceu. Mas eu prefiro olhar para o número que subiu, porque é esse que me vai bater à porta quando fechar as contas do ano.

 01 Agosto 2026

O Lucro que Sobe e as Vendas que Descem, a Lição da Semapa!

Sem o impacto da mais-valia provisória do negócio com a cimenteira, o resultado líquido do grupo seria de 31 milhões de euros, uma redução de 8,6 milhões em relação ao primeiro trimestre de 2025..
Saiu esta semana uma notícia que muitos leram à pressa e da qual retiraram a conclusão errada. A Semapa, a holding da família Queiroz Pereira, anunciou um lucro de 570 milhões de euros no primeiro semestre do ano, mais de seis vezes o do ano anterior. O título é impressionante. Mas foi o que estava escrito por baixo dele que me fez parar para pensar, e que me parece merecer uma reflexão de qualquer empresário.

Porque, ao mesmo tempo que o lucro disparava, as vendas do grupo caíram quase nove por cento. Parece uma contradição. Não é. É uma das lições mais valiosas de gestão que se pode retirar dos jornais.

De onde veio, afinal, o lucro

A explicação é simples e está à vista de quem lê com atenção. Aquele lucro gigante não nasceu de vender mais nem de operar melhor. Nasceu de uma venda de ativos. A Semapa vendeu a cimenteira Secil por mais de mil milhões de euros, e essa operação gerou uma mais-valia extraordinária de mais de meio milhar de milhões que inflacionou o resultado do semestre.

O próprio grupo teve a honestidade de o esclarecer. Retirando o efeito da venda da Secil, o lucro teria sido de cerca de 54 milhões de euros, abaixo dos quase 90 milhões do ano anterior. Ou seja, olhando apenas para a operação normal do negócio, a empresa não ganhou mais. Ganhou menos. O número que fez as manchetes foi um acontecimento único, que não se repete, e não o retrato da saúde do dia a dia.

Porque é que isto importa a quem gere

Poderá parecer que uma holding cotada em bolsa nada tem a ver com a realidade de uma empresa comum. Tem tudo. A lição é exatamente a mesma, quer se movam milhões, quer se movam milhares.

A lição é a de saber distinguir o resultado extraordinário do resultado recorrente. O primeiro é o que acontece uma vez, a venda de um imóvel, de uma máquina, de uma parte do negócio. O segundo é o que a empresa gera todos os meses, com a sua atividade normal. Confundir os dois é um dos erros mais perigosos que conheço, porque cria uma ilusão de saúde que pode esconder uma doença.

Já vi empresas felizes com um ano excelente que, afinal, só foi excelente porque venderam um ativo ou receberam um pagamento pontual. E vi essas mesmas empresas em dificuldades no ano seguinte, sem perceberem porquê, quando a resposta estava ali, escondida no número redondo que as tinha iludido.

O que se deve reter desta notícia

Fico com uma ideia que aplico há muito ao meu próprio negócio, e que este caso ilustra na perfeição. Quando olho para as contas de uma empresa, minha ou de outros, a primeira pergunta que faço não é quanto lucrou. É de onde veio esse lucro.

Um lucro que vem da operação, de vender bem, com margem e de forma repetida, é um lucro saudável e sustentável. Um lucro que vem de uma venda pontual é um encaixe, e um encaixe gasta-se. Um serve para construir o futuro. O outro, no máximo, serve para ganhar tempo.

A Semapa fez, provavelmente, um bom negócio ao vender a Secil, e usou esse encaixe para reduzir drasticamente a sua dívida, o que é uma decisão sensata. Mas o empresário atento não confunde uma boa jogada de portefólio com um bom semestre de operação. São coisas diferentes, e é na segunda que mora a verdadeira força de uma empresa.

Fica, assim, o conselho que  para todos nós. Desconfiem sempre do lucro que salta aos olhos. Perguntem de onde veio. Porque a diferença entre uma empresa forte e uma empresa com sorte está, quase sempre, na resposta a essa única pergunta.

Acontece Agora

14 Março 2026

Liderar é mais do que gerir empresas. É compreender pessoas, antecipar tendências e tomar decisões que criam valor para o futuro.

Num mundo em constante transformação, o conhecimento, a estratégia e a capacidade de execução distinguem os líderes que acompanham a mudança daqueles que a lideram. Cada conversa é uma oportunidade para desafiar ideias, partilhar experiências e construir novas perspetivas sobre gestão, economia e liderança.

27 Fevereiro 2026

The Lisbon MBA Católica|Nova Alumni Unite Summit 2026 — Nova SBE (a melhor para si)

Agilidade, foco, inteligência artificial, propósito e impacto são as prioridades que vão marcar a atuação dos líderes empresariais este ano, de acordo com o The Lisbon MBA Católica|Nova Alumni Unite Summit 2026.

Partindo do tema “Navigating a world of changing priorities”, o The Lisbon MBA Católica Nova Alumni Unite Summit 2026 reuniu, mais de 300 participantes, alumni, académicos, líderes empresariais e decisores públicos  para refletir sobre o que distingue a liderança competitiva num mundo de prioridades em transformação.

E num contexto atual dominado pela instabilidade geopolítica, pela aceleração tecnológica e pela crescente pressão regulatória, este summit organizado pela The Lisbon MBA Católica Nova identificou cinco eixos centrais que deverão marcar a liderança ao longo deste ano, eixos que passam por uma maior agilidade, foco estratégico, integração da Inteligência Artificial, propósito e impacto.


 27 Julho 2026

What is the risk of using Chinese open AI models like Kimi K3?

O debate sobre a inteligência artificial está, muitas vezes, centrado na pergunta errada.

Não basta perguntar se um modelo foi desenvolvido na China, nos Estados Unidos ou na Europa. A verdadeira questão é quem controla os dados, onde são processados e quais as regras de governação tecnológica que lhes são aplicadas.

Para empresas e gestores, a escolha de uma plataforma de IA não deve assentar apenas no desempenho ou no preço. Deve incluir critérios como segurança, proteção de informação estratégica, conformidade legal, transparência e capacidade de auditoria.

À medida que modelos como o Kimi K3 se tornam mais competitivos e acessíveis, a vantagem deixará de estar apenas na tecnologia disponível. Estará na forma como cada organização decide utilizá-la e integrá-la na sua estratégia.

Para os líderes empresariais, a questão já não é se vão utilizar inteligência artificial. É como o vão fazer, mantendo o controlo sobre os seus dados, as suas decisões e a confiança dos seus clientes.

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